quinta-feira, dezembro 1

O período de eleição traz consigo muitos questionamentos, como a eficiência das urnas eletrônicas e até os institutos de pesquisas de intenção de voto. Alguns escândalos temperam essa fagulha que pode se transformar em uma verdadeira fogueira, colocando em cheque, grandes nomes e instituições.

 

Nesta semana, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), defendeu a instalação de uma CPI para investigar empresas de pesquisas de intenção de voto no Congresso depois das eleições. Na segunda-feira (10), era prevista a votação do projeto de lei que criminaliza as empresas de pesquisas eleitorais que tiverem resultados diferentes dos que forem coletados das urnas eletrônicas. Até que ponto isso pode ser controlado?

 

Com o plenário vazio, a votação não foi realizada, mas em entrevista ao portal UOL, o presidente da Câmara falou sobre o projeto e a expectativa de que a CPI receba todas as assinaturas necessárias para a instauração. “Nós não temos como nos furtar de resolver esse assunto, porque ele vem incomodando ano a ano, eleição a eleição, a todos os eleitores”, afirmou Lira.  

 

O mais importante, segundo Lira, não é criminalizar os institutos de pesquisa, mas regulamentar as pesquisas eleitorais. “Se as pesquisas perderam a capacidade de captar o desejo do eleitor, a metodologia tem que ser modificada. A forma de fazer tem que ser unificada, essa é uma maneira de regulamentar, por exemplo”, explicou. 

 

Mas qual o preço os institutos que cometerem o erro podem pagar? Segundo o projeto de lei, as empresas de pesquisas podem ser multadas em até 200 vezes o valor pelo qual foi contratada, em caso de discrepância sobre o resultado das urnas. Porém, o difícil será penalizar de forma objetiva as empresas de pesquisa, uma vez que não há como comprovar de onde parte exatamente a responsabilidade pelo erro. 

 

“Se eu for responsabilizar o dono da empresa, ele vai dizer que a culpa é do estatístico. Vou no estatístico e ele diz que a culpa é do entrevistador. O entrevistador vai dizer que é culpa do eleitor que mentiu. Queremos regulamentar. Vai ter que indenizar 100 vezes, 200 vezes o valor da contratação, vai ter que uniformizar metodologia”, disse Lira. 

 

No Amazonas, assim como nos outros estados brasileiros, é comum a realização de pesquisas de intenção de voto. O resultado, sempre com margem de erro de tantos pontos, serve para “dar uma base” de como tal nome está sendo visto pela população. O resultado de uma pesquisa pode atrair novos “aliados políticos” ou até afastá-los, assim como, pode até influenciar o voto do eleitor indeciso. Até que ponto a Lei poderá ser aplicada, controlada e cumprida com as penalidades? 

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