quinta-feira, agosto 18

A pré-candidata Natália Demes (PSOL) ao Governo do Amazonas, esteve na manhã desta sexta-feira (24), no Fiscaliza Geral com o jornalista Alex Braga, para debater sobre os temas atuais da região e expor suas propostas para o pleito deste ano.

Em 2021, a violência de crimes violentos aumentou 54% no Amazonas. Segundo a pré-candidata, a violência está interligada com o narcotráfico na região. “Esse problema é muito antigo né? Ainda mais relacionado ao narcotráfico. Então a gente sabe que existem territórios que são praticamente dominados. A gente costumava dizer na faculdade que onde o estado constitucional não chega, o estado penal acaba chegando. Acredito que essa discussão sobre o crime organizado é muito ampla, precisa de um debate profundo com gente que seja especialista em segurança pública”, disse.

O apresentar Alex Braga relembrou o caso do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, e questionou Natália sobre as propostas para amenizar os crimes nas fronteiras.

“Esse tema não tem a ver só com crime organizado, tem relação com o narcotráfico. Existe uma área ali que é terreno de diversas práticas ilegais criminosas, do garimpo principalmente. Então, quando a gente tem um olhar cuidadoso com o ecossocialismo e ambientalismo, é uma área que tem que ter fiscalização constante. O Bruno e o Dom foram assassinados porque foram justamente falar em nome das comunidades que estavam ali. Não à toa, essas comunidades foram as mais interessadas em procurar em denunciar e buscar respostas para o crime, pela morte dos dois e a gente sabe por exemplo que o governo mandou seis agentes, uma quantidade mínima para a operação, ou seja, um descaso com a região”, explicou.

Natália diz que os assassinatos de Bruno e Dom trouxeram muita perda cultural de quem defendia e entendia os povos indígenas da região. “Nosso partido também ficou chocado. Acho que todo mundo que tem um pouco de noção, sabe a perda que foi o assassinato do Bruno e Dom que eram praticamente enciclopédias. O Bruno falava línguas indígenas que estão em extinção praticamente, então, o olhar que nós temos aqui, é que a denúncia que eles tinham e o que eles sabiam era muito importante a ponto de que o encerramento dessas investigações foi rápido, apareceu quem assassinou e encerrou as investigações, exatamente para não expor quem realmente está dominando a região”, revelou.

Segundo informações do jornal O Globo, o indigenista Bruno chegou a denunciar uma rota de tráfico na região para o Ministério Público e a Polícia Federal. Foram enviadas fotos e vídeos de locais utilizados por criminosos para comercializar produtos ilegais. “O Bruno inclusive denuncia que existe um chefe na região que atende por nome de Colômbia e não foi aprofundado que ele poderia ser o mandante do crime”, expôs o apresentador.

O apresentador questionou a relação entre o PSOL e o PT, em nível nacional e regional. “É uma aproximação necessária neste momento e para esse ano eleitoral. Nós temos um combate e um inimigo comum para combater esse ano que é um bolsonarista. Então, o debate do PSOL em apoiar a candidatura do presidente Lula tem a ver justamente com a capacidade que o Lula tem de ganhar, é o único candidato nesse momento que têm condições de enfrentar e ganhar do Bolsonaro nas urnas”, disse Natália.

O PSOL atualmente possui três pré-candidatos ao Governo do Amazonas, e o nome a ser indicado pelo partido ainda deve ser analisado e debatido. Natália revelou que o Diretório ainda não decidiu se essa escolha será através de prévias ou conferência eleitoral.

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